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Fome psicológica

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Por Denise Rosso, endocrinologista*
redacao@bemleve.com.br


A fome física, também conhecida como fome fisiológica ou do estômago, é a que se refere à nossa necessidade de reabastecimento e que sustenta a vida. Entretanto, a fome emocional ou psicológica é a fome que não tem ligação com a sustentação da vida. É ela que nos faz comer apesar de estarmos satisfeitos ou até passando mal. É esta fome que nos faz engordar.

A criança, desde o nascimento, estabelece um vínculo com a mãe através da amamentação. As primeiras sensações de ansiedade, consideradas desagradáveis, são experimentadas quando o bebê tem fome. O alívio da tensão só é conseguido quando a criança se alimenta. Com o crescimento, recebemos influências da família e da cultura que ajudarão a moldar um “estilo alimentar”.

Para recuperar a capacidade de comer apenas quando estiver com fome, deve-se compreender que nem toda a fome é física. É preciso se acostumar a sentir fome, principalmente em horários pré-estabelecidos, como antes das refeições.

Ansiedade é vilã

Segundo alguns psicólogos a fome exagerada pode se relacionar à falta de carinho, atenção, carência afetiva e até ansiedade. De acordo com a psicóloga Maria Inês Bittencourt, “a fome psicológica não é só fome de alimento. É também fome de algo que é representado por esse alimento. A pessoa quer se sentir amada, importante e, quando não consegue suprir esta carência de outras maneiras, entra nesse círculo de comer, e quanto mais come mais se sente infeliz, porque é claro que a comida não preenche esse vazio”.

Quem quer emagrecer tem que fazê-lo prazerosamente. O objetivo é emagrecer e permanecer magro, o que requer mudança de hábito alimentar para toda a vida. O comportamento só se torna um hábito se for agradável. Por isso, só coma se estiver com fome e não se estiver ansioso! A ansiedade é a principal vilã da dieta e deverá receber tratamento especial e profissional, caso seja detectado este problema.

A compulsão alimentar faz com que muitas pessoas sabotem a dieta e pode estar ou não associada à ansiedade. É importante nestes casos observar se você está assaltando a geladeira ou aquela loja de doces próxima à sua casa sem ninguém saber. As consequências deste distúrbio alimentar podem ser anorexia e bulimia.

Uma pergunta deve sempre ser feita antes de começar a dieta: “Você quer mesmo emagrecer”? É preciso treino para poder distinguir a fome física e o apetite, mas sempre devemos pensar no quanto comemos durante o dia e avaliar se há alguma outra coisa da qual esteja sentindo carência.


Avalie sua fome física

Saciado

10 = cheio até o ponto de enjoo

Neutro

9 = desconfortavelmente cheio, precisa afrouxar o cinto
8 = desconfortavelmente cheio, sinto-me completo
7 = muito completo, sinto que comi demais
6 = confortável, nem com fome, nem completo
5 = confortável, nem com fome, nem completo
4 = início de sinais de fome
3 = fome, pronto para comer
2 = muita fome, incapaz de se concentrar

Faminto

1 = faminto, tonturas, irritável

O objetivo desta avaliação é você começar a comer quando tiver apresentando os sinais de fome (nível 4) e parar de comer quando estiver se sentindo completo, ou seja, ao atingir o nível 6. Lembre-se: comer é mais gostoso quando se está com fome. Coma aproveitando cada segundo.

*Denise Rosso é mestre em Nutrologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e endocrinologista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF). É membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e professora do curso de pós-graduação de Endocrinologia pelo IPEMED – BH.




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